terça-feira, 18 de outubro de 2011

CyberGod


Às pressas preces são proferidas
Sem nenhum peso ou pudor
Onde fica afinal o olho daquela que tudo vê?
Pois desse lado vejo espelhos
Mas o opaco daquilo em frente reflete aquilo que não há...
Aquilo que não tocamos e tanto nos toca
Proferimos a profecia do movimento
Do novo e inacabado
E do divino se faz o ralo
Se faz presente em cada passado
Cada dado processado
Em tudo está, em tudo estamos
Aqui quase nada somos pois somos oniscientes.


Em meio ao mar o que é a onda?
Em cada ponto infinitos planos
Abençoados em graça e bytes
Transferência de dados, máxima comunhão.
Assim vão os sussurros
Assim estão os urros
Aqui estão também os surdos
Há tempos ... sem templos

Quem é essa mesmo?
Que avança como um vírus voraz
Sedutora como a mais bela meretriz em turno de trabalho
Real como a multidão e a rua
Exibindo-se por aí, de seio desnudo, compartilhando tudo com todos
E que pode, afinal, uma criatura ,entre criaturas, senão amar?
Quem é mesmo?
Que invadiu nossas vidas
Adorável feito donzela, fulminante como pólvora
Brilhante como a maior das jóias
Singela... seguindo por onde todos vão.

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01010100101 00 1110101010101010101
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Assim canta o Sacerdote....

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sussurros de fim da tarde


Sonhos pequeninos feitos de papel e chocolate povoam minha cabeça.
Alguns pequenininhos de fralda e mamadeira a correr pelas estradas.
Sonhos diminutos de acordes diminutos e de horas a fio em palco de luz.
Sonhos pequenos de transmutação, liberdade e cura.
Sonhozinhos de montanha, cidade, sol e chuva
Sonho que vem de madrugada, enquanto dia admirando a noite
Sonhos pequenos como uma gotinha de orvalho
Desprezível ? Sonhe comigo antes de dormir e verá
Ou...
Durma comigo.

São sonhos miúdos de grandeza infinita e menos prosa que poesia
É lenha molhada de fogo, sorriso de guri.
É tarde ao vento com caminho de terra empolgante
É coração a bater louco de medo, revolta e amor...a bater de vida.
Se vale o sonho?
É que um dia tive um pesadelo e acordei
Então notei a imensidão do grão de areia quando resolvi mergulhar no mar profundo de um copo
Em minha mente habitam esses sonhos reais de vozes, gestos e abraços... de gente
Do micro ao macro e do macro ao micro, nunca me importei mesmo em..como dizem?? "Pagar mico"
Viagem?Desprezível? Viaje comigo.
Sonhe comigo antes de dormir,
E durma comigo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Eutanásia Homeopática


Essa é boa
Somos sobrevivente
De invasoes alienigenas
De varios fim do mundo
De chupacabras
E de algumas contas mal pagas
De algumas mentiras malcontadas
Bombas mal explodidas e tiros pela culatra
Somos sobreviventes de uma vida distante e malcozida
Que mistura o riso e as jazidas
Homens bombas sequelados em hospital, sem virgens e coisa e tal
Somos a bomba, somos a soma.
E que suma tudo,
Tudo que se fora nesse ultimo fim de mundo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Entre Seis Portas


Quer tomar do fluido rosa,
Banhar-se no mundo em doce frenesi
Como quem corre em corda bamba,
Como pássaro imerso no ar.
Quer o vento a soprar
Mas também quer soprar e gargalhar
Como acorde dissonante e desafinado.

Vai, criança louca!
Grita tua fala ao mudo e ao surdo
Mas não esquece de abraçá-los,
Pois a mesma criança ali reside
Em outros quadros, outras paisagens
Fala e ouve em cada gesto, mas nunca te cala.
Vai com coragem, lindo demente.

A esfera é grande, mas teu passo é a medida
Prova do amargo e do doce
Destrua plantas e flores
O motor é o momento,
Toma as rédeas do teu
E viaja nas portas com fé no teu pé.
Pois nada mais real que o imaginário
E nada imaginário que o real.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Crime Suspeito


Mataram o suspeito
E o assassino era um imóvel da sala de estar
De estar cego, com fome e sede
De estar em transe profundo...
De estar entediado, fora de si, entrando pelo ralo e saindo num buraco negro
De estar de saco cheio de opniões tão vazias
Que do nada vem e pro nada vão sem sequer dizer "olá"
São palavras caladas, suspeitas...
Mas mataram o suspeito e não avisaram
De quem suspeitarei agora?
Suspeito de uma jogada de marketing
Suspeito de uma vida mal vivida
Suspeito de tantas coisas que chego a ser suspeito...
Mas suspeita-se de esquizofrenia
Assim até fica fácil..
Quando estabeleceram o concreto em seu teto
Endureceram sua gelatinosa massa encefálica...
E assim morreu o suspeito
Agonizou na escadaria
Rumo ao céu..rumo ao inferno
Qualquer lugar serve pra quem não vai mais a lugar nenhum
Esse nó na garganta que não passa
Lembra a morte do sujeito e o surgimento do predicativo
É que quando mataram o perfeito esqueceram de nascer o imperfeito
E lá vai o ditador capitão óbvio
Em seu mar de ilusões com sua canoa furada...
Onde ele vai chegar agora?
Suspeito que à lugar nenhum
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Uma epidemia , afogado pela metonímia
Situaçãozinha suspeita essa.

domingo, 24 de abril de 2011

A indústria dos sonhos(nosso pesadelo)


Voalá!
Mais uma fornada pronta
Um sonho forjado na forma de um carro
Um carro do próximo ano, é igual ao do ano trasado
Mas tem um banco bem mais confortável
E a potencia de um inútil cavalo amarrado( você!)
E você deveria comprar se não quer ficar atrasado
Venha até nós, nos fale o que já sabemos

Apenas durma
Relaxe, sonhamos por você
Porque vendemos fel i cidade
Temos o que deseja,
Tecemos o seu desejo e seu frio deserto
Pouco a pouco... pouco..pouco
Caia em nossa rede... agora!

Criança, tudo tem seu preço,
Inclusive você.
O que quer de natal?
O novo boneco do batman ou o video game de última geração?
Acertamos em cheio, sabemos.
Aquilo na sala , garoto, é a nossa mão e nosso olho
E você nosso brinquedo

Vocês devem perguntar quem somos nós...
Isso... nós não sabemos.
Nem queremos saber! Sabemos muito bem o que fazemos
Não precisamos de um porquê
Só de um imbecil como você,
Que realmente acredita ser livre
Em sua redoma sintética que nós fizemos

Sua camisa, seu cabelo, sua comida, seu sexo
Sua cabeça, sua casa, seu amor
Tudo é pré produzido!
Ditamos seu desejo
É assim que deve ser
Nos deixe cuidar de você e de suas feridas

Você sabe que pode escolher
Entre o sim e o com certeza...
Você pode pintar seu carro com a tinta que vendemos....

Durma, sonhamos por você
Não sabemos onde vamos parar porque não queremos parar
E não vamos parar, poque vocês dormem e não enxergam
Amanhã será tudo igual, tal e qual
Renovaremos o estoque e você ficará feliz com o novo lançamento do ano

Durma....compre...compre...pouco a pouco...durma
Morra...morra...pouco a pouco!

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pretérito (bem mais que) Imperfeito


Era um dia... uns anos atrás
Sinal fechado , num lugar comum, em uma hora qualquer
Qualquer um sabe o que vai acontecer...
-Favor seu moço, me dá um pão
Era uma criança indefesa.
-Não!
Favor seu moço, Olha pra cá...
-Não!
-Favor, seu moço,me ajuda...
-Não!
Seu moço,me escuta...
-Não! Não!
-Vai embora , moleque! Me deixa em paz! Larga de ser preguiçoso eu não sou o teu pai!
Era um dia, há uns anos atrás.
Com toda certeza nem lembra mais.
Engenheiro renomado, homem de responsabilidades.
Estava ocupado em suas grandes mesas... de bilhar ou escritório (tanto faz)
Construindo um lar,construindo um filho, construindo um muro!
Afinal, assim falou Zaratustra
Do outro lado da podre cidade, construía sua mais viva obra...
Hoje,
Uns assaltos diários, revenda de drogas....
O de praxe...
Já era homem e tinha aprendido
Não te olham , não te alimentam, não te ajudam, não te escutam.....
Até procuraria um pai, se tivesse um...
Não que gostasse , mas era bandido
E bandida era a vida,desde pequeno,nas ruas....nos sinais de trânsito.
Era chegada a hora.
Estava vindo um carro...
O grande engenheiro aproximava-se do sinal.

Sinal fechado, um dia desses.
-Abre a porta, mané!
Portava uma arma na mão
Era um bandido armado
-Nã..não... por favor....não.
-Passa a grana velhote, rápido! nem um pio!
-Nã..não posso....
Ele nunca daria dinheiro a vagabundo nenhum...eram seus principios éticos.
-Que papo é esse, mano?! Eu atiro, porra!!Dá essa grana!

Alguma confusão....
Barulho de motor de carro....
Quatro tiros certeiros na cabeça ...
Um mar de sangue encerrava a cena
Aquele vermelho do sinal ..o vermelho do não... vermelho nos olhos dos homens...
O vermelho era seu sangue.. sangue criminoso, meu sangue, nosso sangue
Derramado a cada dia em gotas e gritos, copos e corpos.
...
Construção terminada, foi o toque final.
Sangue fugindo das veias,
Homem do policial.
Final sangrento ....e a rua...
Vermelha como o sinal...

quinta-feira, 31 de março de 2011

A mente mente


A gente mente
A mente mente
Espelho, espelho meu
Há mesmo algo que exista
Existo eu?
Espelho, espelho és?
Espelho, és espelho ou eu?
E se olha para cima
E vir petróleo no sagrado céu azul
Miragem, ilusão...chame do que quiser.
Mas se a chama se apaga a sombra é a direção
E a platéia assiste a fadiga mundial
Os pássaros não cantam e nosso hino é o carnaval
A visão do paraíso vista do inferno de Dante
Mas te acalma e repara....e o cisne vira elefante...
A mente mente, suavemente...mente
Teu pulso avulso pulsa
Teu punhal esquecido em si
Teu olho em chamas
Dançando em um céu de diamantes
No ritmo da borboleta
Se a janela não é bela!
E a mulher não é Amélia
E se é sonho pouco importa
Nessa realidade torta do barro se fez Adão...
Aparentemente
A mente mente
A gente mente
A mente...mente!