domingo, 24 de abril de 2011

A indústria dos sonhos(nosso pesadelo)


Voalá!
Mais uma fornada pronta
Um sonho forjado na forma de um carro
Um carro do próximo ano, é igual ao do ano trasado
Mas tem um banco bem mais confortável
E a potencia de um inútil cavalo amarrado( você!)
E você deveria comprar se não quer ficar atrasado
Venha até nós, nos fale o que já sabemos

Apenas durma
Relaxe, sonhamos por você
Porque vendemos fel i cidade
Temos o que deseja,
Tecemos o seu desejo e seu frio deserto
Pouco a pouco... pouco..pouco
Caia em nossa rede... agora!

Criança, tudo tem seu preço,
Inclusive você.
O que quer de natal?
O novo boneco do batman ou o video game de última geração?
Acertamos em cheio, sabemos.
Aquilo na sala , garoto, é a nossa mão e nosso olho
E você nosso brinquedo

Vocês devem perguntar quem somos nós...
Isso... nós não sabemos.
Nem queremos saber! Sabemos muito bem o que fazemos
Não precisamos de um porquê
Só de um imbecil como você,
Que realmente acredita ser livre
Em sua redoma sintética que nós fizemos

Sua camisa, seu cabelo, sua comida, seu sexo
Sua cabeça, sua casa, seu amor
Tudo é pré produzido!
Ditamos seu desejo
É assim que deve ser
Nos deixe cuidar de você e de suas feridas

Você sabe que pode escolher
Entre o sim e o com certeza...
Você pode pintar seu carro com a tinta que vendemos....

Durma, sonhamos por você
Não sabemos onde vamos parar porque não queremos parar
E não vamos parar, poque vocês dormem e não enxergam
Amanhã será tudo igual, tal e qual
Renovaremos o estoque e você ficará feliz com o novo lançamento do ano

Durma....compre...compre...pouco a pouco...durma
Morra...morra...pouco a pouco!

...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pretérito (bem mais que) Imperfeito


Era um dia... uns anos atrás
Sinal fechado , num lugar comum, em uma hora qualquer
Qualquer um sabe o que vai acontecer...
-Favor seu moço, me dá um pão
Era uma criança indefesa.
-Não!
Favor seu moço, Olha pra cá...
-Não!
-Favor, seu moço,me ajuda...
-Não!
Seu moço,me escuta...
-Não! Não!
-Vai embora , moleque! Me deixa em paz! Larga de ser preguiçoso eu não sou o teu pai!
Era um dia, há uns anos atrás.
Com toda certeza nem lembra mais.
Engenheiro renomado, homem de responsabilidades.
Estava ocupado em suas grandes mesas... de bilhar ou escritório (tanto faz)
Construindo um lar,construindo um filho, construindo um muro!
Afinal, assim falou Zaratustra
Do outro lado da podre cidade, construía sua mais viva obra...
Hoje,
Uns assaltos diários, revenda de drogas....
O de praxe...
Já era homem e tinha aprendido
Não te olham , não te alimentam, não te ajudam, não te escutam.....
Até procuraria um pai, se tivesse um...
Não que gostasse , mas era bandido
E bandida era a vida,desde pequeno,nas ruas....nos sinais de trânsito.
Era chegada a hora.
Estava vindo um carro...
O grande engenheiro aproximava-se do sinal.

Sinal fechado, um dia desses.
-Abre a porta, mané!
Portava uma arma na mão
Era um bandido armado
-Nã..não... por favor....não.
-Passa a grana velhote, rápido! nem um pio!
-Nã..não posso....
Ele nunca daria dinheiro a vagabundo nenhum...eram seus principios éticos.
-Que papo é esse, mano?! Eu atiro, porra!!Dá essa grana!

Alguma confusão....
Barulho de motor de carro....
Quatro tiros certeiros na cabeça ...
Um mar de sangue encerrava a cena
Aquele vermelho do sinal ..o vermelho do não... vermelho nos olhos dos homens...
O vermelho era seu sangue.. sangue criminoso, meu sangue, nosso sangue
Derramado a cada dia em gotas e gritos, copos e corpos.
...
Construção terminada, foi o toque final.
Sangue fugindo das veias,
Homem do policial.
Final sangrento ....e a rua...
Vermelha como o sinal...