quarta-feira, 18 de maio de 2011

Entre Seis Portas


Quer tomar do fluido rosa,
Banhar-se no mundo em doce frenesi
Como quem corre em corda bamba,
Como pássaro imerso no ar.
Quer o vento a soprar
Mas também quer soprar e gargalhar
Como acorde dissonante e desafinado.

Vai, criança louca!
Grita tua fala ao mudo e ao surdo
Mas não esquece de abraçá-los,
Pois a mesma criança ali reside
Em outros quadros, outras paisagens
Fala e ouve em cada gesto, mas nunca te cala.
Vai com coragem, lindo demente.

A esfera é grande, mas teu passo é a medida
Prova do amargo e do doce
Destrua plantas e flores
O motor é o momento,
Toma as rédeas do teu
E viaja nas portas com fé no teu pé.
Pois nada mais real que o imaginário
E nada imaginário que o real.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Crime Suspeito


Mataram o suspeito
E o assassino era um imóvel da sala de estar
De estar cego, com fome e sede
De estar em transe profundo...
De estar entediado, fora de si, entrando pelo ralo e saindo num buraco negro
De estar de saco cheio de opniões tão vazias
Que do nada vem e pro nada vão sem sequer dizer "olá"
São palavras caladas, suspeitas...
Mas mataram o suspeito e não avisaram
De quem suspeitarei agora?
Suspeito de uma jogada de marketing
Suspeito de uma vida mal vivida
Suspeito de tantas coisas que chego a ser suspeito...
Mas suspeita-se de esquizofrenia
Assim até fica fácil..
Quando estabeleceram o concreto em seu teto
Endureceram sua gelatinosa massa encefálica...
E assim morreu o suspeito
Agonizou na escadaria
Rumo ao céu..rumo ao inferno
Qualquer lugar serve pra quem não vai mais a lugar nenhum
Esse nó na garganta que não passa
Lembra a morte do sujeito e o surgimento do predicativo
É que quando mataram o perfeito esqueceram de nascer o imperfeito
E lá vai o ditador capitão óbvio
Em seu mar de ilusões com sua canoa furada...
Onde ele vai chegar agora?
Suspeito que à lugar nenhum
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Uma epidemia , afogado pela metonímia
Situaçãozinha suspeita essa.